quinta-feira, 2 de março de 2017

AS QUALIDADES ESSENCIAS DE UM TEXTO

Veja algumas características que valorizam e fazem uma boa redação


AUTONOMIA

O texto precisa ser compreendido por si. O autor deve imaginar um leitor que não leu a proposta do enunciado da prova. As referências ao material de apoio têm de ser acompanhadas de todas as informações necessárias para que o leitor as entenda, uma vez que a coletânea não faz parte da redação.

A autonomia de um texto também se mede pelo nível de atualização e pelo repertório do candidato-autor. O texto inadequado do exemplo a seguir apresenta certa ampliação das informações básicas quando estende as considerações para outras possíveis causas das consequências anunciadas pela prova: “ A baixa renda dos adultos e falta de políticas públicas atentas...”

Texto inadequado (sem autonomia):

“A situação mostrada no mapa é uma vergonha. Mas não é fácil de ser enfrentada, pois requer dinheiro e determinação dos governantes”.

Um vocabulário adequado também é muito importante para garantir a autonomia do texto. Note, no exemplo a seguir, como as afirmações são mais precisas quando substituímos palavras vagas ou genéricas (como “vergonha”, “fácil”) por outras mais objetivas (“número”, “denúncia”, “baixa-renda”).

Texto (com autonomia):

“O grande número de crianças trabalhadoras no Brasil denuncia a baixa renda dos adultos e a falta de políticas públicas atentas ao futuro”.


COERÊNCIA E CLAREZA

A coerência do seu texto resulta dos argumentos que você utiliza para referendar logicamente seu ponto de vista, o seu recorte do tema. No desenvolvimento da redação, é importante ter como objetivo convencer o leitor da lógica de seu texto. O processo básico é o mesmo de uma discussão com os amigos sobre um filme ou uma partida de futebol. Em uma dissertação, a melhor ideia será aquela sustentada por argumentos convincentes, com os quais o autor se fará entender. Por isso, é importante posicionar-se diante do tema de forma ponderada e evitar radicalização e panfletagem.

Em outras palavras, é preciso escrever com clareza para que, após ler a redação, ninguém se pergunte: “Mas afinal, o que o autor quis dizer com isso?”. Essa é uma pergunta que o autor deve se fazer antes de passar o texto a limpo. Seu texto estará pronto se responder à pergunta.

Texto inadequado (sem coerência nem clareza):

“Nem sempre as imagens falam tudo o que queremos. Às vezes, vão além do imaginado por quem as produz”.

Texto adequado (com coerência e clareza):

“O significado de uma imagem por quem a vê não é necessariamente o mesmo de quem a produziu”. 


COESÃO

A coesão é a articulação das partes de um todo. Na gramática da língua portuguesa aprendemos que as articulações são realizadas pelas classes de palavras conhecidas por “arredondar” o discurso e tornar mais agradáveis e compreensíveis as orações e os períodos. São as preposições e as conjunções que exercem essa função de conectivos com maior frequência.

Além da coesão interna de um período ou oração, também é preciso ter coesão entre as etapas do texto. O espírito é o mesmo, mas neste caso, a atenção deve estar voltada para os encontros que se dão no fim de um parágrafo e no início de outro. Um bom encadeamento gera “coesão textual” ou “textualidade” e evita que a redação não tenha palavras soltas, como se uma frase não tivesse relação com a outra.

Texto inadequado (com problemas de coesão):

“Quando pensamos um tempo melhor para a vida de todos, queremos dizer o seguinte: simplesmente as coisas podem ser mais justas para todas as pessoas se beneficiarem disso”.

Texto adequado (com boa coesão):

“Quando pensamos em um tempo mais justo, imaginamos, simplesmente, que a vida pode ser melhor para todos”. 


SIMPLICIDADE

Escrever de forma simples é o caminho certo para quem tem poucas linhas para expressar sua opinião sobre um tema. O candidato deve evitar períodos muito longos ou o uso de vocabulário rebuscado. Períodos longos servem a textos longos, de várias páginas, o que não é o caso de uma redação para o vestibular. As palavras difíceis também devem ser evitadas. Elas geralmente são utilizadas com a intenção de impressionar os avaliadores, mas podem provocar desvio de raciocínio. Além disso, é bom evitar inversões no uso de elementos da oração e manter a organização básica: sujeito, verbo e complementos. Como falantes da língua, nós já fazemos isso intuitivamente. Pôr o adjetivo antes do substantivo, por exemplo, aumenta a sua ênfase e, portanto, parece intencional para quem lê, e você só deve utilizar se tiver mesmo a intenção de ser enfático.

Texto inadequado (prolixo):

“As relações sociais que são repletas de interligações que variam de modo intrínseco fazem da construção de uma imagem, inerente a si mesma, uma busca fundamental”.

Texto recomendado (escrita simples):

“Construir imagens que representam a complexidade das relações sociais é uma busca fundamental”.





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FONTE:
“Guia do estudante, Redação: Vestibular + Enem 2013. Edição nº 6. Editora Abril, 2013, p. 20-21.”









Imagem: http://www.escolavillare.com.br/a-redacao-nos-vestibulares-e-no-enem/

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Clarice Lispector: para nao esquecer

Nos últimos dias, tenho como companhia o livro “Para não esquecer”, de Clarice Lispector. É um livro com 108 textos, entre eles contos, crônicas e minicontos. Nele, mergulhamos no universo tenso e introspectivo de Clarice... Somos convidados para uma reflexão do nosso próprio existir. É de fato um livro para não esquecer.

Trago o miniconto “Lembrar-se”, no qual Clarice divide conosco a experiência do ato de escrever...

“Escrever é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? assim: como se me lemvra-se. Como em esforço de “memória”, como se eu nunca tivesse nascido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é um carne viva.”

sábado, 17 de dezembro de 2016

Eu?

Vou confessar: na verdade eu não sou o meu nome. Eu não sou quem dizem quem sou. Eu não sou essa palavra que busca definir tantas pessoas. Na verdade eu não sou eu, porque eu é também uma palavra que nos homogeneíza, que me homogeneíza; todo mundo diz ser eu. Será que eu sou todo mundo? A Humanidade inteira?
               
  A grande verdade é que eu não sei que sou eu. Só sei que eu não sou eu e nem sou o meu nome. Sei que sou uma coisa estranha e muito maior que um conjunto de letras.

Sou o nada e o tudo. Sou o nó na garganta depois de uma mágoa e o arrepio durante um beijo. Sou a dor do nascer e do morrer. Sou o ontem e o amanhã; sou o hoje.

(Igor Gonçalves)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

CICLO VITAL II

Amaram-se e casaram-se.
Olharam-se.
Redescobriram-se...
Escolheram seguir por estradas diferentes.

                                       (Igor Gonçalves)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CICLO VITAL

Olharam-se. Amaram-se.
Casaram-se e tiveram filhos.
E foram engolidos pelo tempo.

                      (Igor Gonçalves)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Mestre em humanidade

À Renata Soneghetti, pela obtenção do título 
de Mestre em Língua Portuguesa


Os textos, as letras, os silêncios...
O livro aberto, a palavra, a vida...
A entrelinha, o afeto,
a troca.

A argumentação.

O que faz um mestre?
Indica o caminho para a liberdade.
Bom mestre, o que devo fazer para conseguir a humanidade?
Sentir o outro, assim como eu o sinto.

Mestre é aquele que pega pela mão do discípulo
e o leva para contemplar a luz do sol.
Mestre retira o outro das trevas da opressão.

Mestre é humano,
demasiado humano.

(Igor Gonçalves)