sábado, 17 de dezembro de 2016

Eu?

Vou confessar: na verdade eu não sou o meu nome. Eu não sou quem dizem quem sou. Eu não sou essa palavra que busca definir tantas pessoas. Na verdade eu não sou eu, porque eu é também uma palavra que nos homogeneíza, que me homogeneíza; todo mundo diz ser eu. Será que eu sou todo mundo? A Humanidade inteira?
               
  A grande verdade é que eu não sei que sou eu. Só sei que eu não sou eu e nem sou o meu nome. Sei que sou uma coisa estranha e muito maior que um conjunto de letras.

Sou o nada e o tudo. Sou o nó na garganta depois de uma mágoa e o arrepio durante um beijo. Sou a dor do nascer e do morrer. Sou o ontem e o amanhã; sou o hoje.

(Igor Gonçalves)

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